O Estado moçambicano vai aumentar em 42% os gastos com defesa e segurança em 2024, face ao orçamentado para este ano, ultrapassando os 67.9 mil milhões de meticais, segundo dados publicados esta segunda-feira pelo jornal Económico.
Citando os documentos de suporte à proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2024, em discussão no parlamento, a mesma publicação revela que a componente de Defesa está orçada em mais de 20.1 mil milhões de meticais, equivalente a 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado, contra 13.3 mil milhões de meticais este ano.
Já a componente de Segurança e Ordem Pública sobe de 34.5 mil milhões de meticais em 2023 para 47.8 mil milhões de meticais, 8,8% do PIB, na proposta orçamental para o próximo ano.
“O Governo continuará a mobilizar financiamento adicional, em meios materiais e financeiros, para cimentar a posição das Forças de Defesa e Segurança no Teatro Operacional Norte e garantir a retoma da actividade económica e da livre circulação de pessoas e bens”, justifica o Governo, no documento.
Ainda assim, este incremento com defesa e segurança no próximo ano não ultrapassa o total gasto em 2022, de quase 77.2 mil milhões de meticais, equivalente a 18% do PIB.
Em contrapartida, a proposta orçamental para 2024 corta 16% na área da saúde, que passa a ter uma dotação de 30.1 mil milhões de meticais, equivalente a 5,5% do PIB.
Em Setembro, o Presidente da República, Filipe Nyusi, reconheceu que o terrorismo, que há seis anos afecta a província de Cabo Delgado, é uma “grave e nova ameaça à paz”.
“A brutalidade com que os terroristas operam deixou claro que não se trata de um conflito religioso, mas de um fenómeno impulsionado por factores como branqueamento de capitais, narcotráfico, delapidação de recursos minerais, entre outros tipos de crime”, afirmou o Presidente.
O distrito de Mocímboa da Praia foi o primeiro alvo dos ataques terroristas em Cabo Delgado, norte de Moçambique, em 05 de Outubro de 2017. A vila sede de Mocímboa da Praia chegou mesmo a funcionar como quartel-general dos rebeldes durante pouco mais de ano, até ser recuperada, em Agosto de 2021, pela acção conjunta das forças governamentais moçambicanas e do Ruanda.
Na província de Cabo Delgado combatem o terrorismo as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, desde Julho de 2021, com apoio do Ruanda e da missão da SADC.

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