A dívida interna de Moçambique duplicou desde 2020 até julho de 2024, para quase 400 mil milhões de meticais, segundo a agência de classificação financeira, S&P Global Ratings, que cita dados do Banco Central.
A agência aponta que em 01 de Janeiro de 2020 a dívida situava-se em 187,2 mil milhões de meticais; em 01de Janeiro de 2021 estava em 218,8 mil milhões de meticais; em 01 de Janeiro de 2022 era de 275,1 mil milhões de meticais, em 01 de Janeira de 2023 cresceu para 312,3 mil milhões de meticais; e em 01 de Julho estava fixada em 377,9 mil milhões de meticais.
Este crescimento da dívida interna é justificado com o facto de o país ter recorrido à moeda nacional para suprir o déficit orçamental não previsto. Mas também, pelo facto de não ter conseguido, desde 2016, financiamento em moeda externa.
Na mesma senda, a implementação da Tabela Salarial Única (TSU), para simplificar a folha de pagamento de salários, na tentativa de reduzir a sobrecarga. “Teve o efeito oposto, provocando alertas do FMI”
“Moçambique já atrasou pagamentos de algumas dívidas desde o início do ano passado, e a agência de classificação avalia a posição de crédito do governo como CCC+ — profundamente em território mau — para obrigações em moeda local e estrangeira”, lê-se na publicação da Bloomberg.
Por outro lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o total do endividamento público interno amente para 97,5% do produto interno bruto este ano.
Essa é uma das maiores taxas regionais e impede efectivamente o governo de assumir dívida externa não concessional adicional sob seu programa com o credor sediado em Washington. Para cada dólar que o governo arrecada em impostos, 20 centavos vão para o serviço da dívida, conforme o FMI, escreve a fonte.
O governo também enfrenta pressões crescentes de gastos à medida que as eleições gerais de 9 de Outubro se aproximam.

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