O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, diz que o progresso económico e social nos países menos desenvolvidos (PMDs), foi desacelerado pelo impacto da pandemia, mudanças climáticas e atuais crises de energia e alimentos.
De acordo com um novo relatório da agência, a maioria dos PMDs respondeu rapidamente à crise de saúde, implementando uma ampla gama de pacotes de apoio, apesar do aumento das lacunas financeiras e do espaço fiscal limitado.
No entanto, o estudo aponta que as fraquezas estruturais tornaram essas nações mais vulneráveis aos múltiplos choques atuais. E a crise pode se aprofundar ainda mais se elas não participarem plenamente da recuperação global.
O diretor-geral da OIT, Guy Ryder, reconhece que os países menos desenvolvidos estão sob enorme pressão por conta do cenário global.
No entanto, ele acredita que, com as medidas certas de política macroeconómica e de emprego, podem ser criadas oportunidades em sectores novos e existentes, impulsionadas por investimentos em possibilidades económicas verdes e digitais.
O relatório ainda apresenta uma visão geral do progresso e dos desafios estruturais enfrentados pelos PMDs na transformação estrutural, transição para economias mais verdes e a criação de emprego pleno e produtivo e trabalho decente.
Atualmente, existem 46 países na lista de países menos desenvolvidos, representando 12% da população mundial.
Eles se caracterizam por terem baixos níveis de renda e serem mais vulneráveis a choques económicos e ambientais, também têm baixo desenvolvimento humano, extrema pobreza e altas taxas de mortalidade.
De acordo com o levantamento, as vulnerabilidades dos PMDs são, em grande parte, o resultado de fracas capacidades produtivas associadas às baixas competências humanas, infraestrutura inadequada e limitações de acesso e uso de tecnologias.
São também o resultado de instituições fracas, incluindo as instituições de trabalho e os sistemas de proteção social.
Os dados da OIT apontam que o emprego informal é generalizado e representa quase 90% da forma de trabalho nos PMDs.
O relatório analisa como as tecnologias digitais podem trazer grandes benefícios aos PMDs, particularmente aqueles com grandes populações jovens, desde que investimentos significativos sejam feitos em capital, habilidades e conhecimento para apoiar o trabalho decente produtivo e inclusivo.
No campo das recomendações, O relatório fala de políticas para uma recuperação centrada no ser humano que seja inclusiva, sustentável e resiliente.
Para a OIT, é necessário expandir a assistência e cooperação internacional, incluindo a Assistência Oficial ao Desenvolvimento, para fortalecer a saúde e evitar restrições e barreiras desnecessárias ao comércio e à migração.
Fonte: ONU News
