O Credit Suisse apresentou esta terça-feira o seu Global Wealth Report 2022, que concluiu que a riqueza cresceu a um ritmo forte em 2021 e, no final do ano, a riqueza global às taxas de câmbio vigentes totalizava 463,6 triliões de dólares, uma subida de 9,8%. O património por adulto aumentou 8,4% para 87.489 dólares.
“Deixando de lado os movimentos das taxas de câmbio, a riqueza global agregada cresceu 12,7% em 2021, que é a taxa anual mais rápida jamais registada. No entanto, factores como a inflação, o aumento das taxas de juro e a queda dos preços dos activos [financeiros] no mercado podem reverter o impressionante crescimento do ano passado em 2022”, referem os analistas do banco suíço citados pela Lusa.
A maior componente da subida da riqueza em 2021 foi a valorização do mercado de capitais. “O ano de 2021 foi um ano de grande impacto para a riqueza das famílias, impulsionado por ganhos generalizados nos preços das acções e por um ambiente favorável criado pelas políticas dos bancos centrais em 2020 para baixar as taxas de juro, mas à custa de pressões inflacionistas”, reconhece o banco.
“Os aumentos das taxas de juro em 2022 já tiveram um impacto adverso nos preços das obrigações e das acções e são também susceptíveis de dificultar o investimento em activos não financeiros. A inflação e taxas de juro mais elevadas podem abrandar o crescimento da riqueza das famílias a curto prazo, mesmo que o produto interno bruto (PIB) nominal aumente a um ritmo relativamente rápido, previsto para este ano”, referem os analistas do Credit Suisse.
A inflação mundial e a guerra Rússia-Ucrânia são susceptíveis de dificultar a criação de riqueza real durante os próximos anos, alerta o Credit Suisse, que admite, no entanto, que a riqueza global nominal em dólares deverá subir 169 triliões de dólares americanos até 2026, um aumento de 36%.
Os países de rendimento baixo e médio representam actualmente 24% da riqueza, mas serão responsáveis por 42% do crescimento da riqueza ao longo dos próximos cinco anos, antevêem os analistas do banco suíço.
Os países de rendimento baixo e médio representam actualmente 24% da riqueza, mas serão responsáveis por 42% do crescimento da riqueza ao longo dos próximos cinco anos, defendem.
Já os países de rendimento médio serão o principal motor das tendências globais.
“Prevê-se que a riqueza global por adulto aumente 28% até 2026 e que passe o limiar de 100 mil dólares em 2024. O número de milionários também crescerá acentuadamente nos próximos cinco anos para 87 milhões, enquanto o número de ultra-ricos (UHNWI) atingirá os 385.000.
Axel Lehmann, Presidente do Conselho de Administração do Credit Suisse Group AG e Presidente do Instituto de Investigação do banco diz na nota sobre a apresentação da décima terceira edição do Global Wealth Report que, “como a inflação está a dominar a corrente discurso do investimento, o estudo deste ano oferece uma avaliação adicional da riqueza real em oposição à riqueza nominal tendências para ter em conta o efeito da inflação na riqueza global”.
Anthony Shorrocks, economista e autor do relatório, afirmou no mesmo comunicado que “numa comparação de países, os Estados Unidos acrescentaram o máximo da riqueza familiar em 2021, seguida da China, Canadá, Índia e Austrália. As perdas de riqueza eram menos comuns e quase sempre associado à depreciação da moeda em relação ao dólar americano”.
Como foi o ano passado?
Os principais destaques do relatório dão conta que a riqueza global agregada totalizou 463,6 triliões de dólares (463,3 triliões de euros) no final do ano, o que traduz um aumento de 41,5 triliões de dólares ou 9,8% face ao ano anterior.
A riqueza por adulto subiu 8,4% para atingir os 87.489 dólares (87.422 euros) no final do ano. “Estes montantes são reduzidos porque se referem a dólares americanos às taxas de câmbio actuais, e o dólar americano apreciou-se durante o ano. Se as taxas de câmbio tivessem permanecido iguais às de 2020, a riqueza total teria crescido 12,7% e riqueza por adulto em 11,3%”, ressalva o banco.
A contabilização da inflação reduz as taxas de crescimento da riqueza. Em 2021, o aumento estimado da riqueza real foi de +8,2%. Ao olharmos em frente para um período de inflação mais elevada do que nas duas últimas décadas, a comparação das tendências da riqueza real e nominal cresce em relevância, detalha ainda o banco.
Nas conclusões do Crédit Suisse está ainda o facto de em 2021 todas as regiões terem contribuído para o aumento da riqueza global, mas a América do Norte e a China dominaram, com a América do Norte a responder por pouco mais da metade do total global e a China a somar mais um quarto. Em contrapartida, África, Europa, Índia e América Latina em conjunto representaram apenas 11,1% do crescimento da riqueza global. Este valor baixo reflecte a depreciação generalizada em relação ao dólar americano nestas regiões. Em termos percentuais, a América do Norte e a China registaram as taxas de crescimento mais elevadas (cerca de 15% cada), enquanto o crescimento de 1,5% na Europa foi de longe o mais baixo entre as regiões.
As flutuações da taxa de câmbio são muitas vezes a fonte de ganhos e perdas consideráveis no património avaliado em dólares americanos. Em média, em 2021, os países desvalorizaram em relação ao dólar americano em 2,9%. Entre os países, o Japão (-9,3%) e a zona euro (-7,7%) experimentaram as maiores quedas.
O Credit Suisse diz que a dívida total das famílias aumentou 4,4% a nível mundial no seu conjunto. No entanto, o valor global foi suprimido pelo crescimento zero na região Ásia-Pacífico (excluindo China e Índia) e pela redução da dívida na Europa (devido à depreciação da taxa de câmbio). Noutros lugares, a dívida das famílias aumentou, em média, 9%, liderada por um aumento de 12,1% na China.
Uma análise de subgrupos específicos da população sugere que, nos Estados Unidos e no Canadá, os millennials e a Geração X foi a que mais aumentou a sua riqueza entre 2019 e 2022.
Nos Estados Unidos, os afro-americanos e as famílias hispânicas registaram o maior aumento percentual de riqueza em 2021, graças a aumentos de riqueza não financeira, sobretudo habitação.
No que diz respeito à riqueza das mulheres, estima-se que, dos 26 países que constituem 59% da população adulta global, 15 países (incluindo China, Alemanha e A Índia, por exemplo) mostram um declínio na riqueza das mulheres ao longo de 2020 e 2021. Nos restantes países (incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, por exemplo), o gap entre o rácio médio de riqueza das mulheres para os homens aumentou.
A análise do Crédit Suisse conclui também que a concentração da riqueza nos mais ricos aumentou em 2021. A participação da riqueza do 1% do topo global aumentou pelo segundo ano consecutivo para atingir 45,6% em 2021, acima dos 43,9% em 2019.
O número de pessoas com património líquido ultra-alto (UHNW) expandiu-se a um ritmo muito mais rápido, adicionando 21% de novos membros em 2021. Os Estados Unidos (30.470) foi o país que ganhou mais membros do com património líquido ultra-alto, seguido da China (5.200).
O número de membros da UHNW também aumentou em mais de mil na Alemanha (1.750), Canadá (1.610) e Austrália (1.350).
As quedas de pessoas com património líquido ultra-alto (UHNW) foram relativamente baixas. As maiores quedas ocorreram na Suíça (queda de 120), Hong Kong (queda de 130), Turquia (queda de 330) e Reino Unido (queda de 1.130).
Mas o estudo também diz que a riqueza mediana dentro dos países e em todo o mundo mostra que a desigualdade de riqueza global caiu neste século devido ao crescimento mais rápido alcançado nos mercados emergentes.

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