Corrupção na “era Zuma” foi um “trauma nacional” – Ramaphosa

Corrupção na “era Zuma” foi um “trauma nacional” – Ramaphosa

O maior “trauma nacional” para o povo sul-africano foi a captura do Estado pelo elevado nível de corrupção registado na África do Sul durante o Governo do ex-Presidente, Zacob Zuma, entre 2009 e 2018.

“Embora não tenha havido muito alarido sobre o levantamento das últimas restrições à covid-19, registou-se uma mudança tectónica na nossa psique nacional”, disse, esta segunda-feira, o actual presidente do país, Cyril Ramaphosa, através da sua newsletter semanal.

O Presidente da África do Sul, que enfrenta uma polémica nacional ao ser acusado de ter ocultado um assalto a uma das suas residências, no qual foi descoberto quatro milhões de dólares em notas escondidas nas mobílias da casa, numa quinta agrícola, considerou que a sociedade sul-africana “está a emergir de um grande trauma nacional que causou danos incalculáveis, destruição e desgosto”.

Sem mencionar o Congresso Nacional Africano (ANC), o partido no poder do qual é também presidente, Ramaphosa adiantou que “a era da captura do Estado foi um tipo diferente de trauma nacional”, comparativamente à pandemia da covid-19.

“Os seus danos foram além do saque do erário público, da tentativa de destruição das nossas instituições públicas e da grande corrupção que roubou ao povo sul-africano o que era seu por direito. Foi também uma traição aos valores da nossa Constituição e aos princípios sobre os quais a nossa democracia foi fundada”, salientou.

“O comportamento imoral, antiético e criminoso de indivíduos egoístas em posições de autoridade minou a confiança do povo nos líderes e instituições que deveriam servi-los. Isso criou uma lacuna de confiança que levará algum tempo para sarar”, adiantou.

O líder sul-africano, que é o quinto Presidente da República sul-africana desde a queda do ‘apartheid’ em 1994, apelou aos sul-africanos para “romperem decisivamente com os excessos do passado, construindo uma sociedade livre de corrupção e um Estado enraizado na ética, no profissionalismo e na capacidade que realmente sirva o povo sul-africano”.

“Também temos a oportunidade de reconstruir uma sociedade mais inclusiva, mais humana, fundada na igualdade de oportunidades para todos e que proteja os mais vulneráveis”, frisou o Presidente sul-africano.

“Tendo agora sabido o que aconteceu e quem estava envolvido, o nosso trabalho começa a sério. Devemos garantir que haja reparação, justiça e responsabilidade, e que um período tão vergonhoso nunca mais aconteça”, concluiu Ramaphosa.

Na apresentação do relatório final da comissão, o juiz Raymond Zondo, que liderou a investigação de quatro anos sobre o saque generalizado de recursos do Estado sul-africano entre 2009 e 2018, referiu que as recomendações do inquérito “abordam significativamente a corrupção na captura do Estado”, caso o Governo implemente as recomendações.

Durante os cerca de 10 anos de governação de Zuma, Ramaphosa desempenhou o cargo de vice-presidente da República, de 2014 a 2018. (Lusa)

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