Automobilistas que percorrem a Estrada Nacional Número Um (EN1) estão a levantar sérias dúvidas sobre a qualidade das intervenções realizadas na via, depois de as recentes cheias terem provocado o desabamento de parte do pavimento em alguns troços.
Um vídeo colocado a circular nas redes sociais mostra o alcatrão literalmente suspenso e posteriormente derrubado pela força da água, deixando a descoberto a camada inferior de solo argiloso avermelhado. As imagens sugerem que o revestimento aplicado terá uma espessura inferior a cinco centímetros, o que está a gerar indignação entre os utentes da principal artéria rodoviária do País.
Nas gravações, observa-se a erosão da base de suporte, aparentemente sem estrutura sólida suficiente para resistir ao escoamento das águas pluviais. Em alguns pontos, a estrada cedeu junto a aquedutos e sistemas de drenagem, levantando suspeitas sobre a qualidade da compactação e da preparação da sub-base antes da aplicação do tapete betuminoso. O troço já foi reposto provisoriamente, no âmbito da intervenção do governo para restabelecer a circulação na principal estrada que liga o País.

Automobilistas ouvidos nas redes sociais consideram que as intervenções realizadas nos últimos anos têm sido maioritariamente superficiais, consistindo na simples aplicação de uma nova camada de asfalto sobre uma estrutura antiga e fragilizada.
Especialistas em engenharia rodoviária têm defendido em programas de TV’s que, para estradas com tráfego pesado e sujeitas a chuvas intensas, a camada de desgaste deve ser acompanhada por uma base e sub-base devidamente dimensionadas, podendo a estrutura total ultrapassar os 40 centímetros de espessura. A aplicação de uma camada fina de alcatrão sobre solo instável tende a resultar em degradação prematura, sobretudo em zonas propensas a inundações.
A EN1 é considerada estratégica por ligar o sul, centro e norte do País, assegurando o transporte de pessoas e mercadorias. A recorrente degradação da via, agravada por fenómenos climáticos extremos, reacende o debate sobre a necessidade de uma reconstrução estrutural profunda, em vez de intervenções pontuais que acabam por ceder ao primeiro teste das chuvas.

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