Um estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, em parceria com União Africana e a Comissão Económica para África indica que o número de pessoas subnutridas subiu quase para metade em 2020 no continente africano, e ao nível dos países da língua portuguesa, Moçambique é o que apresenta piores resultados. No global, pouco mais que 280 milhões de africanos passam fome, de acordo com a publicação
Olhando mais para as percentagens, em países da língua portuguesa, Angola apresenta uma prevalência da desnutrição de 17,3%. Cabo Verde tem 15,4%, São Tomé e Príncipe 11,9% e Moçambique tem a maior prevalência, com cerca de 31,2% de desnutrição.
A pesquisa ressalta que foi entre 2019 e 2020 que ocorreu a maior alta de insegurança alimentar no continente. Conflitos e mudanças climáticas são apontados como as principais razões. Mas a situação piorou com a desaceleração das economias que foi causada pela pandemia agravando ainda mais as principais causas da fome.
O novo relatório sobre segurança alimentar e nutrição destaca ainda que a piora substancial nos níveis de pessoas passando fome acontece depois de um longo período de melhoria entre 2000 e 2013. Ao todo, o continente concentra 55% do total de afetados pelo aumento global de subnutridos no período analisado. Com a situação a região corre o risco de não atingir a meta global de erradicar a fome até 2030.
A situação da alimentação junta-se a dificuldades de acesso a dietas saudáveis e problemas subjacentes, tais como pobreza e desigualdade que pioraram com as dificuldades econômicas provocadas pela Covid-19.
Os autores do relatório apelam a comunidade internacional a fornecer ajuda em curto prazo aos países necessitados, e a investir na agricultura e em outros sectores relacionados para melhorar a resiliência contra eventos climáticos extremos no futuro.
Fonte ONU News